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Os reveses da ausência: as "questões raciais" na produção acadêmica do Serviço Social no Brasil (1936-2013).

  • Autor: Ruby Esther León Díaz

Tese de Doutorado defendida no Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP, no ano de 2016, sob orientação da Profa. Dra. Maria Lucia Rodrigues.


  Consideramos que a pouca ou frágil produção de estudos sobre as "questões raciais" no Serviço Social brasileiro merece algum questionamento. Reivindicado por segmentos do Serviço Social como importante campo de estudos para aprimoramento e reconhecimento sobre os usuários dos serviços e mesmo sobre o perfil dos sujeitos assistentes sociais, não ganha notoriedade como em outras áreas das ciências humanas e sociais. O objetivo desta tese consiste em analisar o percurso e a expressão do tema "questões raciais" na literatura acadêmica do ponto de vista histórico e contemporâneo no Serviço Social no período de 1936-2013. Priorizamos também analisar como o ambiente acadêmico do Serviço Social inibe e/ou promove, motiva e/ou hesita as iniciativas na produção de pesquisas e estudos sobre as "questões raciais". Procuramos examinar como as "questões raciais” são estudadas no Serviço Social, quais os assuntos que se destacam nessa literatura e os referenciais teóricos mais utilizados para o estudo do tema. Foram analisados os primeiros trabalhos de conclusão de curso da primeira escola de Serviço Social fundada no Brasil, artigos de revistas especializadas, trabalhos apresentados em eventos científicos, teses e dissertações da área, tendo como referência o método muldimensional, articulando o quantitativo ao qualitativo. Concluímos que, apesar de sua inserção histórica na literatura da profissão, o tema é pouco valorizado e reconhecido no Serviço Social. Esse fato pode ser explicado pelo vínculo do Serviço Social com perspectivas analíticas hegemônicas que restringem o campo de pensamento e de atuação profissional ao estudo do impacto social das relações capital-trabalho. Esse vínculo também apaga a história anterior à determinação marxista como única teoria crítica para o Serviço Social. Desta forma, elimina-se a existência dos primeiros documentos que analisaram a temática "questões raciais" gerando uma ideia de ausência total que, também, suprime o aporte das e dos assistentes sociais que, desde os anos sessenta, introduziram o tema na área. Paradoxalmente, a ideia de ausência também habilita e estimula as autoras e autores da literatura contemporânea sobre as "questões raciais" a produzirem reflexões e pesquisas na área. Autores e autoras, de maneira sutil, apresentam inflexões nos discursos fechados do Serviço Social; essas inflexões se apresentam por certa fusão entre o sujeito pesquisador e o sujeito pesquisado, produzindo, por vezes, tensões num ambiente acadêmico restrito a categorias que nem sempre explicam a experiência identitária dos sujeitos negros.


PARA CITAR ESTA TESE NO FORMATO ABNT:

LEÓN DÍAZ, R. E. Os reveses da ausência: as "questões raciais" na produção acadêmica do Serviço Social no Brasil (1936-2013). Tese (Doutorado) – Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016, 366 p. Disponível em: http://www.nemesscomplex.com.br/conteudos?id=27.  Acesso em: dd mmm aaaa.

Bibliografia:
Os reveses da ausência: as "questões raciais" na produção acadêmica do Serviço Social no Brasil (1936-2013).



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